Centro de formação instaura pedagogia antirracista em escolas municipais

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Salvador passou a contar com um espaço piloto e centralizado de capacitação continuada, pesquisa e disseminação de metodologias aplicadas à educação étnico-racial. O primeiro Centro de Formação em Educação para as Relações Étnico-Raciais Ananse Ntontan (Cenfran) foi inaugurado nesta quinta-feira (9), na Escola Municipal 15 de Outubro, na Fazenda Grande do Retiro.

O centro vai formar cerca de 700 profissionais de educação, que atuam nas 40 unidades escolares da Gerência Regional de São Caetano. Coordenado pelo Núcleo de Políticas Educacionais das Relações Étnico-Raciais (Nuper), o Cenfran vai implementar ações educativas, projetos e atividades, contribuindo para a reconstrução identitária, socioeducativa e histórica dos diversos segmentos e modalidades de ensino

Com um espaço físico composto por duas salas de aula e uma biblioteca especializada, no Cenfran serão capacitados professores, gestores e secretários escolares, agentes da educação, coordenadores pedagógicos, além de equipes de suporte e técnicos, que atuam na Educação Infantil, anos iniciais e finais do Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos (Eja) e regularização de fluxo. Até dezembro deste ano, todos os profissionais da Gerência Regional de São Caetano estarão formados.

Durante a formação, os educadores terão acesso ao conteúdo sobre identidade, construção da sociedade brasileira, conceitos de raça, etnia, racismo, discriminação racial e preconceito, legislação relativa à temática étnico-racial, Programa de Combate ao Racismo Institucional, inserção da temática étnico-racial nos currículos escolares, além da discussão de materiais pedagógicos relativos ao tema.

Presente à inauguração do equipamento, a vice-prefeita Ana Paula Matos, afirmou que Salvador vive um marco histórico. “O centro faz um resgate do nosso povo e da nossa história, permitindo avançar na política de fortalecimento identitário e de reconhecimento étnico racial. É o ponto de partida para tornar a capital baiana uma referência na educação antirracista, combatendo o preconceito e construindo novos caminhos”, afirmou.

Semente – Ao citar o educador e filósofo brasileiro, Paulo Freire, o secretário de Educação de Salvador, Marcelo Oliveira, afirmou que “a educação não transforma, mas sem ela nada muda”.  Segundo o gestor, o centro é uma semente para transformar, por meio da educação, a realidade de uma cidade “majoritariamente negra e desigual”.

A titular da Secretaria Municipal de Reparação (Semur), Ivete Sacramento, afirmou que a instalação do Cenfran é uma ação afirmativa, voltada para educação antirracista. 

“A educação precisa ser o celeiro do combate ao racismo na capital baiana. Nossa cidade tem 82% da população negra e, para combater o racismo, é preciso que os professores entendam o mecanismo deste mal. A educação é o ambiente da transformação do indivíduo. Precisamos trabalhar as crianças para serem livres, diversas, que entendam o outro como ele realmente é”, defendeu.

Transformador – Há 16 anos atuando na rede municipal de educação, a coordenadora pedagógica do Nuper, Eliane Boa Morte, avaliou que a proposta de fazer não apenas uma formação, mas uma construção de conhecimento, é transformadora. “O centro vai permitir compor essa experiência, transformando-a em artigos científicos, jogos, atividades, materiais pedagógicos, que serão perpetuados.  Neste espaço as pessoas irão refletir sobre as práticas e, a partir de aí produzir conhecimento”.

Gestora da Escola Municipal 15 de Outubro, em Fazenda Grande do Retiro, Marta Fonseca falou sobre as expectativas para as mudanças na instituição, após a implantação do centro. “É uma honra fazer parte da história da transformação da educação da nossa cidade. Com a implantação do centro, a escola muda o olhar, a forma de enxergar as pessoas negras, o perfil do aluno e enriquece o conteúdo pedagógico cultural e informativo”, concluiu.

Origem – Oriundo da cultura Akan, presente nos povos de Gana e da Costa do Marfim, o termo Ananse Ntontan significa a teia de aranha, que simboliza a sabedoria, criatividade, engenho e complexidades da vida.

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